7 de março de2026
Leituras:
Mq 7,14-15.18-20
Sl
102(103),1-2.3-4.9-10.11-12
Lc 15,1-3.11-32
Por Pe. Geraldo Martins
Misericórdia e perdão são as duas palavras chave dos textos da liturgia de hoje. No livro de Miqueias, o profeta dirige uma prece a Deus, o pastor de Israel, exaltando seu amor e cuidado com o povo que deixou o exílio. Suplica que ao povo seja dado, de novo, experimentar os benefícios de sua proteção – “que eles desfrutem a terra de Basã e Galaad, como nos velhos tempos (...) faze-nos ver novos prodígios” (Mq 7,14.15).A súplica do profeta nasce da experiência
de um Deus amoroso e misericordioso que, com entranhas de misericórdia, “apaga
a iniquidade e esquece o pecado”; “não guarda rancor para sempre, mas ama a
misericórdia”; “se compadece de nós e lança no fundo do mar nossos pecados”
(cf. Mq 7,18-19). É uma pena que muitos prefiram a visão de um Deus juiz e
castigador à do Deus complacente e rico em misericórdia. Sofrem com uma
consciência escrupulosa, oprimidos pela obsessão de pecado, aprisionados pelo
medo do inferno e do diabo, quando poderiam sentir a alegria do amor infinito
de um Deus cuja satisfação é amar e perdoar.
Na parábola do filho pródigo ou do
Pai misericordioso, Jesus revela de forma ainda mais profunda a misericórdia de
Deus. É ele que vai ao encontro de quem quer encontrá-lo após sair de casa e se
perder. É interessante observar que o filho, reconhecendo seu pecado, “impõe
uma pena a si mesmo: perder todos os direitos de filhos (cf. Gn 43,9)”. Porém,
“o pai não leva o assunto por via legal (Dt 21,20), mas se deixa levar pelo
afeto paternal, sai correndo a seu encontro. O abraço sela a reconciliação,
antes que o filho pronuncie a confissão” (Bíblia do Peregrino). Só quem conhece
e experimenta o amor de Deus é capaz de sentir seu abraço de perdão e
reconciliação.
Aos olhos de muitos que vivem a
rigidez de uma consciência escrupulosa e se deixam guiar pelo fundamentalismo,
a misericórdia de Deus é um escândalo. Pensam que ela anula o dever do
arrependimento e a conversão. Estão enganados. Ao perdoar, “Deus não fecha os
olhos com um complacente paternalismo, mas abre novo crédito de confiança a
nossas responsabilidades e dá a garantia de vencer o mal com o bem. Renova,
assim, no pecador a alegria de viver”. É esta “convicção de que Deus nos
perdoa, fazendo prevalecer em nós o bem sobre o mal, [que] nos impede de sermos
tristes” (Missal Cotidiano).
Deus, Pai misericordioso, tem compaixão de nós e faz-nos participantes de tua alegria que nasce de teu perdão amoroso. Amém.

Amém!
ResponderExcluirAmém!
ResponderExcluirAmém!
ResponderExcluirAmém
ResponderExcluirJesus é pura misericórdia e compaixão!
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