O mal da traição

Terça-feira Santa

31 de março de 2026

 

Leituras:

Is 49,1-6

Sl 70(71),1-2.3-4a.5-6ab.15.17 (R. 15)

Jo 13,21-33.36-38

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Por Pe. Geraldo Martins

No contexto da última ceia, Jesus revela que será traído. É o começo de sua paixão. Preocupados, os apóstolos querem saber quem dentre eles é o traidor. Jesus diz sem dizer: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho” (Jo 13,2). Judas é quem o recebe, mesmo assim, ninguém entende. O que teria acontecido se Jesus tivesse dito explicitamente que era Judas? Qual teria sido a reação dos discípulos?

Nesta cena, duas afirmações chamam atenção. A primeira diz que “satanás entrou em Judas” (Jo 13,27); a segunda, que “era noite”. Uma está ligada à outra. Satanás vive e comanda as trevas. Quem o possui, está na escuridão, vive sempre na noite. Não conhece a luz da verdade, do amor, da justiça, da paz. Por isso, não conhece a Jesus, não o aceita e se opõe ao seu Reino.

Ao anúncio da traição de Judas segue o da negação de que Pedro, que também é uma traição – “o galo não cantará antes que você me tenha negado três vezes” (Jo 13,38). Diferentes em suas motivações, ambas as traições são resultado da fraqueza humana. Quem de nós está imune a essa fraqueza?

A traição é uma realidade humana que machuca profundamente os corações. Causa dor e sofrimento que, muitas vezes, parecem não ter cura. Só quem já foi vítima de uma traição pode mensurar a dor que ela causa. Há traições que provocam rupturas irreparáveis. A de Judas levou Jesus à morte; a de Pedro, abandonou-o à própria sorte no momento mais difícil de sua vida.

Que consequências nossas traições provocam na comunidade de fé? Na família? Nas relações sociais? No cotidiano da vida? Até que ponto nos identificamos com Pedro no entusiasmo da fé e na fraqueza do testemunho? Ou somos mais Judas que Pedro?

Seja a Semana Santa oportunidade de reafirmar nosso amor e nossa fidelidade a Jesus. Não caia sobre nós a noite que nos rouba a esperança e a fé, impedindo-nos de gozar as alegrias da salvação que Cristo nos trouxe.

Senhor, faz-nos fiéis a teu Filho e às causas pelas quais deu a vida. Não permitas que traiamos o amor e a compaixão por meio dos quais no salvou. Amém!

Comentários

  1. Em nosso mundo de hoje vimos os que buscam aplausos e fama, depois ficam esquecidos.talvez não nos lembremos de aplaudir a semente que tocada pelo vento, cai por terra, nasce, produz frutos, sem aplausos e sem agradecimentos. Olhamos para Jesus, que passe diante de nós no pobre sofredor marginalizado, um irmão que tem suas dificuldades humanas, na irmã que clama pelo pão de seus filhos... sem aplausos, sem fama, sem bajulações.será que ainda somos capazes de contemplar a cruz e a ressurreição de Cristo?

    Leitura do profeta Isaías.
    O segundo canto do servo do Javé fala do destino do Messias: “Eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até os confins da terra“.
    Não é pela lógica da força, do poder e do prestígio que se mudarão as coisas, mas pela força do chamado de Deus e pela aceitação da missão, cumprinda até o fim.

    Um vós me entregará... O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes.
    Jesus vai revelando tirando véu com gestos, atitudes e palavras seu infinito amor para com os discípulos, mesmo diante das muitas fragilidades humanas.

    Senhor, nos ajude a corrigir os nossos erros, e assim nos prepara para as festas pascais, e abrir a nossa vida ao evangelho. E possamos colocar a nossa esperança em Cristo Jesus e encontrar o caminho da paz, da comunhão e da santidade. Amém

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