Serve o pobre quem confia no Senhor

Quinta-feira da 2ª Semana da Quaresma

05 de março de 2026

 

Leituras:

Jr 17,5-10

Sl 1,1-2.3.4 e 6

Lc 16,19-31

(Acesse aqui)

Por Pe. Geraldo Martins

Em quem depositamos nossa confiança, nossa esperança: na pessoa humana, na técnica, na ciência, na riqueza ou em Deus, nosso Pai? Nossa vida e destino dependerão desta nossa escolha. E são muitos que escolhem errado, seduzidos pelo canto de uma felicidade que nasce da partitura composta por uma sociedade marcada pelo secularismo, pelo consumismo e pelo individualismo.     

É disso que fala o profeta Jeremias ao mostrar o que acontece com quem confia na pessoa humana e com quem espera no Senhor. Enquanto o primeiro, com o coração longe de Deus, vê definhar sua vida “na secura do ermo”, o segundo, colocando sua esperança em Deus, produz abundantes frutos “como a árvore plantada junto às águas” (cf. Jr 17,6.8).

Os que fazem “consistir sua força na carne humana” (Jr 17,5), são como o rico sem nome da parábola proclamada na liturgia de hoje. Encastelado em seu egoísmo, vivendo de seus bens cuja origem não é revelada pelo evangelho, ignora por completo o pobre Lázaro que mendiga à sua porta em sua luta por sobrevivência, tendo como companhia, unicamente, os cães a lhe lamberem as feridas.

O destino de ambos, após a morte, mostra a justiça de Deus. Enquanto o rico vai para “a região dos mortos, no meio dos tormentos”, Lázaro é levado pelos anjos para   junto de Abraão (Cf. Lc 16,22-23). Segundo Bento XVI, esta parábola diz-nos duas coisas: “a primeira é que Deus ama os pobres e eleva-os da sua humilhação; a segunda é que o nosso destino eterno está condicionado pela nossa atitude, compete a nós seguir o caminho que Deus nos mostrou para alcançar a vida, e este caminho é o amor, entendido não como sentimento, mas como serviço aos outros, na caridade de Cristo.” (Bento XVI Angelus 26.11.10)

Impossível ler esta parábola ignorando a multidão faminta que, como Lázaro, suplica o alimento que cai da mesa dos abastados da sociedade de hoje. “Se ignorássemos a multidão imensa de pessoas humanas que não só estão privadas do estrito necessário para viver (alimento, casa, assistência médica) mas que não têm sequer a esperança num futuro melhor, tornar-nos-íamos como o rico opulento que finge não ver o pobre Lázaro” (São João Paulo II - mensagem para quaresma 1991).

Senhor, só em ti queremos colocar nossa esperança e confiança. Dá-nos força para vencer a tentação do egoísmo e do indiferentismo que nos fazem ignorar a fome que tira a vida de milhões de irmãos nossos no mundo. Amém!

Comentários

  1. Leitura do Livro do Profeta jeremias.
    O coração humano às vezes é duro com a rocha enganoso, e só Deus é capaz de penetrá-lo e de transformá-lo e fazê-lo fecundo de vida e misericórdia.
    E assim vamos depositar a nossa confiança em Deus e não na pessoa humana, na ciência, ou no dinheiro na riqueza…

    O que nos perguntará o Senhor, diante dos milhões de pobres que morrem de fome? Quem não ouve o clamor do irmão, não houve o que diz o Senhor. Pois
    Deus perscruta o coração e dá a cada qual “ conforme o fruto de suas obras ou melhor de nossas obras.

    Senhor, que nossa solidariedade com os nossos irmãos e irmãs mais necessitados seja a ponte que nos conduza até ti. E assim possamos sentir o seu amparo o seu amor que nos ajude a viver nesse mundo cumprindo a sua vontade, nos libertando do egoísmo e da injustiça. Amém



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  2. Senhor Jesus, em Ti coloco minha esperança de um mundo melhor, justo e fraterno, onde todos tenham moradia, pão de cada dia.

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