Ungido pelo amor

Segunda-feira Santa

30 de março de 2026


Leituras:

Is 42,1-7

Sl 26(27),1.2.3.13-14 (R. 1a)

Jo 12,1-11

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Por Pe. Geraldo Martins


Em Betânia, que significa ‘casa dos pobres’, Jesus toma refeição na casa de seus três amigos – os irmãos Marta, Maria e Lázaro, que Ele ressuscitara. Ao que parece, os discípulos o acompanhavam. Sua morte estava iminente, conforme o registro do tempo pelo evangelista: seis dias antes da páscoa (Jo 12,1).

Maria, ao ungir os pés de Jesus com perfume tão caro, convida-nos a reconhecê-Lo como o Messias-Salvador a quem devemos prestar nossa adoração e louvor. Seu gesto nos recorda que Jesus é o ungido do Pai, enviado para anunciar a boa nova aos pobres e libertar os oprimidos, conforme ele mesmo declarara (cf. Lc 4,18).

A unção que Maria realiza em Jesus escandaliza Judas. Fechado ao amor de Cristo, ele disfarça seu verdadeiro interesse, tomando os pobres como escudo. Sua atitude nos faz pensar naqueles que se servem das funções que ocupam para explorar os pobres ao invés de servi-los. Lembra-nos os que vivem de populismo, tão comum no mundo da política.

A resposta de Jesus não é um desprezo aos pobres ao dizer que sempre os teremos conosco. Tampouco é um assentimento aos gastos exagerados com os ornamentos e objetos sagrados, como vemos em muitos lugares. Jesus não quer alimentar o capitalismo que também invadiu nossas igrejas. Jesus acolhe a unção de Maria porque traduz o amor de quem nele crê e compreende sua morte como redentora da humanidade – “ela fez isto em vista do dia da minha sepultura” (Jo 12,7).

Nossa fé deve nos levar a oferecer a Deus o que temos de melhor, não há dúvida. Nisso devemos imitar Maria. Jamais, porém, nos é permitido usar as palavras de Cristo para ignorar os pobres, viver como se eles não existissem e não nos comprometer com sua libertação. Afinal, só entra no reino quem se fizer pobre. O próprio Jesus foi quem o declarou (Lc 6,20).

Senhor, o gesto de Maria nos ensine a acolher teu Filho como nosso Salvador e nos faça contemplar sua glória na Ressurreição. Amém!

Comentários

  1. Iniciamos a Semana Santa. Paira sobre nós a misericórdia daquele que por nós deu sua vida. Ele assume a dor da humanidade que sofre a violência da guerra, das injustiças, dos que lutam para sobreviver com dignidade. É preciso descobrir a cada dia o Cristo, Filho de Deus, que se aproximando de nós, dá-nos sua misericórdia, seu amor, sua salvação. O caminho da salvação é o de Jesus, e não há outro. Possamos todos celebrar com fé, com piedade e abertura de coração o mistério da Paixão, morte e ressurreição de Jesus.
    Jesus Cristo, obediente e fiel ao projeto do Pai, atitude que o leva à morte, torna-se o centro do destino da humanidade. Ele é o libertador e salvador, que nos permite passar para a vida verdadeira e definitiva.

    Na leitura de Isaías, a figura do servo descrita nos cantos de Isaías aponta para o futuro Messias: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”.
    O servo de Javé permanece firme e inabalável, e nada o detém enquanto não realizar plenamente, até o fim, sua missão.

    Maria lavou e perfumou os pés de Jesus. Diante da inquietação de Judas, Jesus disse: deixa-a; ela fez isso em vista do dia de minha sepultura“.
    É profundo o gesto de Maria, que entrega a Deus o que há de mais precioso e é sinal de sua fé e de seu amor. Somos capazes também desse gesto?
    Nardo, o perfume escolhido por Maria, era de uma planta rara do Ionginguo oriente. Era o eu havia de melhor. Isso tornava seu gesto surpreendente. Parece que João narrou o acontecido, quando o mestre caminhava para a condenação e a morte, para deixar claro que Jesus era o Messias. E que ele merecia todo amor e adoração, e nada era grande ou caro demais para lhe mostrar nossa fé.

    Senhor, vem em nosso socorro e faça brotar em nosso coração as sementes do Reino e germinem em nós a verdade do evangelho.
    E a Páscoa seja para nós passagem para a vida nova, mais sintonizada com o evangelho de Jesus Cristo e com o Espírito Santo. Amém

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