A ordem que tudo muda

Sexta-feira na Oitava da Páscoa

10 de abril de 2026

 

Leituras:

At 4,1-12

Sl 117(118),1-2 e 4.22-24.25-27a (R. 22)

Jo 21,1-14

(Acesse aqui)


Por Pe. Geraldo Martins

A retomada do trabalho pelos discípulos sugere que não lhes resta alternativa senão retornar à sua rotina diante da decepção causada pela morte de seu mestre Jesus. A iniciativa é de Pedro, seguida por outros seis apóstolos que o acompanham na pesca noite adentro. Apesar da experiência, seu trabalho é infrutífero. Desgastam-se a noite toda e nada apanham. À ordem de um desconhecido que está à margem, lançam a rede à direita do barco e não aguentam puxá-la dada a quantidade de peixes que apanham. O reconhecimento do Senhor é imediato e João é quem o revela: “É o Senhor!” (Jo 21,7).

Três aspectos chamam atenção nesta aparição de Jesus. O primeiro é o número de peixes: cento e cinquenta e três. Este número sugere a totalidade e indica que a salvação de Jesus tem alcance universal. Os peixes lembram, então, os futuros discípulos de Jesus que veio para todos. Já a rede que não se rompe, apesar de tantos peixes, pode significar a Igreja que Pedro conduzirá (cf. Bíblia de Jerusalém). Este é o segundo aspecto. Por fim, a refeição que Jesus faz com os pescadores numa clara referência à eucaristia.

A experiência da ressurreição de Jesus se faz no cotidiano da vida. É fato extraordinário na medida em que se dá no ordinário. A iniciativa de se apresentar é do próprio Cristo que o faz de maneira simples: dando ordem para lançar as redes (Jo 21,6), sentando-se à “mesa”, convidando para a refeição – “venham comer” – e repartindo o pão e o peixe (Jo 21,13), isto é, servindo. Nestes gestos, Ele se dá a conhecer de tal forma que ninguém ousa perguntar quem Ele é.

Se quisermos ter um encontro com o Crucificado-Ressuscitado, não o busquemos em fatos extraordinários ou espetaculares. Atentemo-nos para o nosso cotidiano. É aí que Ele se apresenta, colocando-se no meio de nós para dar novo rumo à nossa vida como fez com os discípulos durante a pesca. Sem Ele toda noite é longa; todo trabalho é pesado e infrutífero. Não o busquemos fora de nós. Ele está em nós, no nosso interior, em nossa família, em nossa comunidade. Basta que o vejamos e obedeçamos à sua voz.

Senhor, vem ao nosso encontro e orienta nossa vida para que todo nosso trabalho produza frutos que nos ajudem a descobrir o Reino que inauguraste junto de nós. Amém!

Comentários

  1. Leitura At 4,1-12
    A presença gloriosa de Cristo continua no mundo por meio dos apóstolos; mas também continuam as recusas e condenações, Como as das autoridades de Jerusalém.
    A verdade incomoda aqueles que gostam da mentira. A autoridade constituída não gostou da verdade de Jesus. Em nossos dias existem coisas semelhantes?
    Existem ainda hoje os que se irritam com a verdade anunciada e não gostam que a vida seja amada e defendida, por isso ainda buscam sufocá-la.

    Antes à beira do mar, Jesus chamou os discípulos; agora os conforta e confirma na missão. É preciso, porém, reconhecê-lo em tudo.
    Não há nenhum fato extraordinário: Jesus apenas aparece a pescadores que retornam seu trabalho. Será que percebemos sua presença em nossos afazeres rotineiros?

    Senhor, vem ao nosso encontro e nos ajude com os nossos testemunho produza muitos frutos. Amém

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  2. Não o busquemos fora de nós. Ele está em nós, no nosso interior, em nossa família, em nossa comunidade. Basta que o vejamos e obedeçamos à sua voz.

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