O milagre da compaixão e da partilha

Sexta-feira da 2ª Semana da Páscoa

17 de abril de 2026

 

Leituras:

At 5,34-42

Sl 26(27),1.4.13-14

Jo 6,1-15

(Acesse aqui)

Por Pe. Geraldo Martins

A partir de hoje, acompanharemos o capítulo 6 de São João que começa com a multiplicação dos pães e segue com o grande discurso de Jesus sobre o Pão da vida.

Seguido por uma grande multidão por causa de seu cuidado com os doentes (Jo 6,2), Jesus mostra toda sua sensibilidade para com a realidade de quem o acompanhava – “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?" (Jo 6,5). 

Numa sociedade que globaliza a indiferença, somos convidados a ter o olhar compassivo de Jesus que se antecipa à necessidade do povo. A fome é realidade que atinge bilhões de pessoas no mundo e as lideranças mundiais têm mais preocupação com o armamento do que com o combate a esse flagelo que tira a vida de tanta gente... 

A grande lição do evangelho é que a solução para a fome no mundo não está tanto numa equação capitalista como pensava Filipe - "nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um" (Jo 6,7) -, mas na partilha que faz multiplicar o pouco que se tem - "Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?" (Jo 6,9). 

Jesus ensina que a organização e a ação de graças devem preceder à partilha: “façam sentar as pessoas... tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam” (Jo 6,10-11). Enquanto cada um pensar apenas em si mesmo, não sendo capaz de colocar o pouco que tem para ser partilhado com quem nada tem, continuaremos assistindo a multidões em suas carências que as desumanizam.

Sinal da eucaristia, a multiplicação dos pães é forte apelo a que façamos de nossas eucaristias compromisso com a vida dos que a têm ameaçada, tornando-nos, como Cristo, agentes multiplicadores de vida e de esperança para todos e todas.

Como Gamaliel, na primeira leitura, somos desafiados a reconhecer os sinais de Deus cuja obra jamais será destruída por ações humanas. A alegria dos apóstolos por sofrer em nome do Senhor (At 5,41) deveria nos contagiar e impulsionar a enfrentar os desafios que nos são postos quando nos dispomos a anunciar o Evangelho de Cristo e a matar a fome dos famintos.

Senhor, faz-nos sensíveis e compassivos à fome dos teus filhos. Livra-nos do egoísmo e do acúmulo que nos impedem de partilhar o pouco que temos com os que nada têm. Amém!

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