O preço da traição

Quarta-feira Santa

1º de abril de 2026

 

Leituras:

Is 50,4-9a

Sl 68(69),8-10.21bcd-22.31 e 33-34 (R. 14cb)

Mt 26,14-25

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Por Pe. Geraldo Martins

O anúncio da traição de Judas narrado por Mateus traz detalhes que não são registrados por João. O mais interessante deles é a ida de Judas aos sumos sacerdotes para combinar o preço do ‘serviço’ que lhes prestaria entregando Jesus. Combinam 30 moedas de prata, o preço da vida de um escravo.

Outro detalhe é que cada discípulo pergunta sobre quem será o traidor – “Senhor, será que sou eu?” (Mt 26,22). Há ainda o momento em que Jesus declara a sorte do traidor: “melhor seria que nunca tivesse nascido!” (Mt 26,24). É nessa hora que Judas pergunta se será ele o traidor e Jesus confirma – “Você o disse” (Mt 26,25).

O que levou Judas a entregar Jesus? Ao que parece, ele resolve “abandonar a Cristo antes porque tinha menos fé no Messias do que por sede de dinheiro” (Missal Cotidiano). Isso se deduz pelo relato que faz Mateus de seu arrependimento e abandono das moedas que ganhara após a traição (Mt 27,3-10). Atentemos, portanto, ao que pode levar a falta de fé.

O convívio com Jesus, presenciando tudo o que ensinava e realizava em favor do povo, não foi suficiente para despertar a fé em Judas que, usando de sua liberdade, entrega Jesus para ser condenado. Hoje também há muitos que cresceram em famílias cristãs, receberam os sacramentos da Igreja, tiveram catequese, ouviram a Palavra, mas fazem opções que não traduzem a fé no Cristo-Messias. E o fazem na liberdade que Deus lhes deu.

Nem sempre conseguimos compreender os desígnios de Deus. É o caso da paixão-morte de Jesus e o contexto da liberdade que a envolve. Ao celebrar este mistério, a Semana Santa se revela como “a mais trágica celebração da liberdade humana em seu mistério mais profundo: no livre e irrevogável não de Judas e no livre e irrevogável sim de Cristo à vontade do Pai” (Missal Cotidiano). No caminho da liberdade, sigamos a de Cristo que nos leva a dizer sempre sim a Deus cujas decisões são insondáveis e os caminhos, misteriosos (cf Rm 11,33; Sl 13,6).

Ó Pai, manda-nos tua graça a fim de que, por ela assistidos, cresçamos na fé e nos comprometamos cada vez mais com a vida e a liberdade que Jesus nos garantiu com sua morte e ressureição. Amém!

Comentários

  1. Senhor, mostra- o caminho certo que nos leva sempre a seguir seus passos sem perder o rumo do caminho que leva- nos somente a Ti.

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  2. Leitura do Livro do Profeta Isaías.
    No terceiro canto do servo o Messias aguenta firme flagelação e a humilhação: “não desviei o rosto de bofetões e cusparadas”.
    Os pobres não têm a força e o apoio das estruturas, mas somente a da confiança no Senhor, como servo de Javé.

    O evangelho de hoje apresenta-nos uma pequena frase que nos chama atenção: “Daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus“(Mt 26,16). Nela aparece de modo claro o livre agir do homem ou da mulher. Judas, fez tudo planejado, decidido em sua consciência, e com aqueles que queriam a morte de Jesus. A liberdade é dom de Deus para nós, mas é extremamente perigoso brincar com aquilo que é nobre. Jesus, no entanto, dá-nos a prova de sua fidelidade e de sua entrega pela redenção humana.
    o filho do homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, aí daquele que o trair.

    A atitude cristã, que devemos ter, é a de corresponder com a graça divina, e não desprezá-la, traindo o amor de Cristo, como fez Judas.

    Senhor, nos ajude a usar a nossa liberdade com retidão, e assim corresponder à graça divina. Amém

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