No mundo sem ser do mundo

Quarta-feira da 7ª Semana da Páscoa

20 de maio de 2026

 

Leituras:

At 20,28-38

Sl 67(68),29-30.33-34.35-36

Jo 17,11b-19

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Por Pe. Geraldo Martins

Chamados e enviados a cumprir sua missão no mundo, os apóstolos necessitarão da proteção especial de Deus. Por isso, Jesus ora pedindo três coisas ao Pai: que os guarde para que sejam um; que os preserve do Maligno e que os santifique na verdade, que é a Palavra revelada por Jesus.

A preocupação de Jesus é a relação dos apóstolos com o mundo. Este, segundo São João, compreende aqueles que recusam a fé. Trata-se, portanto, de um mundo hostil aos discípulos de Cristo. Contudo, não é possível tirá-los do mundo. É precisamente para o mundo que são enviados a fim de transformá-lo e santificá-lo.

Precisamos ter muito cuidado ao usar a expressão “mundo” ou “coisas do mundo” como se devéssemos rejeitar tudo o que nele existe. Vejo muitas pessoas que, por exemplo, não assistem a programas de TV ou não escutam músicas “profanas” ou deixam de fazer outras como se tudo fosse do Maligno. Outros querem viver e testemunhar sua fé como que alienados do mundo. Cuidemos, portanto, do verdadeiro sentido dessa expressão tão cara a São João para não confundirmos as coisas.

Em Mileto, Paulo faz um discurso de despedida e mostra sua preocupação com a perseverança das lideranças que terão a missão de continuar animando a Igreja. Para motivá-los, Paulo lembra que a missão é trinitária: ela “vem do Espírito e diz respeito à Igreja, que o Pai conquistou pelo sangue de seu Filho” (Missal Cotidiano).

Diante de um mundo hostil, capaz de gerar inimigos aos que anunciam o Reino, Paulo dá três conselhos aos cristãos: que sejam vigilantes (At 20,31), que tenham confiança, entregando-se inteiramente a Deus e à sua graça (At 20,32) e que sejam totalmente livres, desinteressados e desapegados, a exemplo do próprio apóstolo (At 20,33), lembrando que “há mais alegria em dar do que em receber” (At 20,35).

Viver na unidade, estar no mundo sem ser do mundo, consagrar-se na verdade, eis o caminho dos discípulos de Cristo. Cuidar de si e do rebanho na vigilância, na confiança e no desapego. Eis o caminho dos que exercem liderança nas comunidades eclesiais. Como temos trilhado esses caminhos?

Ó Cristo, continua rogando ao Pai em nosso favor a fim de que saibamos viver nossa missão no mundo sem nos deixar contaminar pelo que há de mal nele. Faz-nos atentos aos que usam teu nome para fazer mal e enganar teu rebanho. Amém!

Comentários

  1. Ó Cristo, ajuda-nos a estarmos no mundo sem ser do mundo, vivendo somente parafusar a sua vontade. Amém!

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  2. É preciso a cada dia admirarmos a presença e a ação de Deus na vida das pessoas e do mundo. As pessoas maduras olham com profundidade sua existência e a dos outros. Paulo não excita em colocar com clareza diante do seus, a responsabilidade da missão. E Jesus também, olhando para o futuro, recomenda ao Pai os discípulos e todos os cristãos. Será que não temos ainda muito o que aprender, para nos tornarmos adultos e maduros em nossa fé?
    Desde o momento
    em que Jesus rezou a oração, todos temos o dever, como cristão, de trabalhar em favor da unidade para que se tome, de fato realidade.

    Senhor, nos ajude a viver sempre a unidade da fé, do trabalho e da missão do Reino. E assim teremos paz, concórdia e esperança. Amém

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